quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DESERTO

Gn 21:14-21

    14 Levantou-se, pois, Abraão de madrugada, tomou pão e um odre de água, pô-los às costas de Agar, deu-lhe o menino e a despediu. Ela saiu, andando errante pelo deserto de Berseba.
 15 Tendo-se acabado a água do odre, colocou ela o menino debaixo de um dos arbustos

 16 e, afastando-se, foi sentar-se defronte, à distância de um tiro de arco; porque dizia: Assim, não verei morrer o menino; e, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou.
 17 Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.
 18 Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo.
 19 Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz.
 20 Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro;
 21 habitou no deserto de Parã, e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito.

    Vamos voltar um pouco na história de Abrão, para melhor entendermos.
    O que vamos relatar começa em Gn 15, quando Deus promete um filho a Abrão, e em Gn 16 Sarai vendo que não dava filhos a Abrão teve uma "grande ideia".
    A "grande ideia" de Sarai, era que Abrão tomasse Agar sua serva por mulher. E assim Abrão fez.
    E vendo Agar que havia concebido, foi sua senhora por ela desprezada.
    Sarai por sua vez,  humilhou a Agar, e ela fugiu da sua presença. É nesse momento de fuga, que o Senhor faz uma promessa ao filho da serva. Disse o Senhor: "Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada".Gn 16:10
    Abrão tinha oitenta e seis anos quando Ismael nasceu e cem anos quando Sarai deu a luz a Isaque.
    " Isaque nasceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, deu Abraão um grande banquete. 
     Vendo Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual ela dera à luz a Abraão, caçoava de Isaque, disse a Abraão: Rejeita essa escrava e seu filho; porque o filho dessa escrava não será herdeiro com Isaque, meu filho. 
     Pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.
    Disse, porém, Deus a Abraão: não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência".Gn 21:8-13
    Então Abraão despediu Agar, e na sua caminhada podemos tirar algumas lições.
    Aprendemos que o deserto não pode frustrar as promessas de Deus.

I- ELA SAIU ERRANTE PELO DESERTO DE BERSEBA v.14
    
    Sair errante pelo deserto é andar em círculos, sem saber onde está e sem saber pra onde ir, a pessoa caminha sem referência.
    Muitas vezes nas nossas vidas, quando entramos no deserto, temos as mesmas atitudes de Agar, começamos a andar em círculos e não chegamos a lugar algum.
    Você nunca teve essa sensação? De Andar em círculos. Fazemos de tudo, andamos para todos os lados e paramos no mesmo lugar, e observamos que não avançamos nenhum passo. Isso é mesmo que andar errante no deserto.

II- TENDO ACABADO A ÁGUA DO ODRE v.15

    Sabemos que a água é essencial para os seres humanos, principalmente quando estamos no deserto, pois ela age como reguladora de temperatura, diluidoras de sólidos e transportadora de nutrientes e resíduos por vários órgãos.
    Uma das maiores consequências, que sofremos quando estamos no deserto, é que ele acaba com tudo, que nos serve de sustento.
    A água de Agar acabou. E agora como continuar a caminhada sem o que é essencial. Agar se esquece da promessa e toma uma atitude radical.
    Cuidado! Quando estamos em tempo de escassez, tomamos atitudes radicais. Agar acabou desistindo de continuar a caminhada.

III- DESISTÊNCIA v.16

   O deserto fez com que Agar desistisse de sua caminhada. Ela colocou seu filho debaixo de um dos arbustos e ficou a uma distância de vento e cinquenta metros de distância, porque não queria ver seu filho morrer. Em outras palavras, Agar pediu a morte, ela não aguentava mais o deserto e as suas armadilhas e o desespero foi tão grande que ela desistiu, e simplesmente se preparou par ver a morte chegar. Agar desejou a morte, para ela era mais fácil morrer, que enfrentar o deserto.
    Quantos tem desistidos da promessa, no meio do caminho, quantos tem olhado para as dificuldades, no deserto e tem desejado a morte, pois dizem que não aguentam mais e clamam até para morrer.

IV- DEUS, PORÉM, OUVIU A VOZ DO MENINO v.17

    Este versículo nos leva ao entendimento que Ismael tinha conhecimento do Deus de seu pai Abraão, que provavelmente o tinha instruído acerca do seu Deus. É certo afirmar que Ismael no meio do deserto clamou a Deus de seu pai. Ismael tinha conhecimento que o Deus de seu pai Abraão, salva e opera milagres.
    Observe que está escrito "Deus porém ouviu a voz do menino", o que podemos dizer que as lágrimas e a voz de Agar, não foram direcionadas a Ele, e possivelmente aos seu deuses egípcios, ou então as suas lágrimas e sua voz não eram um pedido de socorro e sim de murmuração, por estar passando por todo aquele sofrimento. Pois é, as vezes choramos pedindo socorro, mas tem momentos que junto com nossas lágrimas de desespero vem a murmuração contra Deus.
    Deus com certeza ouvi a voz daquele que clama, pois em Jr 33:3 diz: " Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabem".
    Deus com certeza ouviu a voz daquele menino que derramava lágrimas como pedido de socorro.

V- DELE FAREI UM GRANDE POVO v.18

    É incrível, mas, o deserto não é apenas um lugar de escassez, de sofrimento, dor e medo, no deserto também recebemos confirmação da promessa de Deus. No meio do deserto Ismael tem a confirmação da promessa em relação a sua vida que foi dada a sua mãe conforme Gn 16:10.
    Levanta-te, ergue-te, o que Deus prometeu, se cumprirá.

VI- ABRINDO-LHES DEUS OS OLHOS v.19

    O mais interessante neste versículo, é que Deus não envia um anjo para abrir o poço, e sim para abrir os olhos de Agar,e ela possa enxergar um poço que já estava lá. Aprendemos com isso que alguns sentimentos que acompanhavam Agar, fez com que ela se tornasse cega. Quem sabe o fato dela se sentir desprezada por Abraão, o medo de estar sozinha com uma criança, o desespero, a falta de esperança, e a ansiedade fizeram com que ela se tornasse cega. O calor do sol escaldante, a areia quente, a fome e a sede também contribuiriam para a tal cegueira.
    Um fato interessante, é que quando Agar entrou no deserto de Berseba, o poço já estava lá. 
    Glória seja dada a Deus! Pois mesmo antes de entrarmos no deserto, Ele já providenciou para cada um de nós o escape, o poço da salvação, onde saciaremos a nossa sede, e continuaremos a nossa caminhada rumo a promessa.

VII- PRESENÇA DE DEUS E CUMPRIMENTO DA PROMESSA v.20,21

    Mesmo no deserto, a presença de Deus era com o filho da serva. Deus não o abandonou, pois tinha feito uma promessa para ele. No deserto Ismael cresceu na presença de Deus, e todas as promessas de Deus, foram cumpridas na vida dele. Ismael casou-se com uma mulher egípcia e Deus fez dele uma grande nação.

    Portanto sabemos que o deserto é um lugar necessário, onde devemos passar. É correto afirmar que o deserto é um lugar de muitas armadilhas, que tentam nos fazer andar errantes, acaba com nossos sustentos, nos fazendo chorar e desistir. Tudo isso para nos afastar da presença de Deus.
    Mas também neste mesmo deserto recebemos confirmação das promessas de Deus, vivemos milagres, e andamos na presença de Deus.
    O deserto não pode nos impedir de vivermos a promessa de Deus.
    
    "Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para a glória de Deus, por nosso intermédio" ICo 1:20
    

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